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Hidden Light

 Hidden Light

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We chase a light in our bodies

we thought we lost long ago,

Running through the fire of someone else’s glow.

 ……………………………………………………………..

We whisper to the roads that we walked before,

leaving a clue behind,

keeping ourselves from the shadows

and keeping ourselves from our minds.

 ………………………………………………………….

We let the words die,

we left them on the ground.

You tried to pick them up, but just look around!

…………………………………………………………………

You leave me alone.

I can’t leave you alone.

Don’t pick the words.

Go back to the light.

Step away.

Come back.

Just go…

Don’t go…

…………………………………………………………….

We’ve said it all and never escaped

From the empty words you’ve said.

……………………………………………………………

But these words mean nothing on this ground.

The light is weak… The wind is low…

………………………………………………………..

You leave me alone.

I can’t leave you alone.

Don’t pick the words.

Go back to the light.

Step away.

Come back.

Just go…

Don’t go…

…………………………………………………….

Should I say it?

Should I go?

Should I let you down?

Should I let you go?

………………………………………………………..

Should I let you go?

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Voz: Cláudia Pascoal e Bruno Manso – The Relevants

Letra: Rita Esteves e Cláudia Pascoal

Instrumental e composição: Cláudia Pascoal

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* Esta sim, é a música do povo. Uma das marcas de uma das melhores amizades de sempre, na melhor “família” de sempre :) Muito orgulhosa do meu filho e da minha cunhada… Vai ser com esta música que vocês vão à Eurovisão! ADORO-VOS :) *

*Rita

Uma pomba

“«Estás velho e acabado! Deixas-te assustar de morte por uma pomba, uma pomba obriga-te a refugiares-te no quarto, derruba-te e aprisiona-te. Vais morrer, Jonathan. Vais morrer, se não já pelo menos muito em breve e a tua vida terá sido falsa, estragá-la-ás, na medida e que foi abalada por uma pomba. Tens que matá-la, mas não podes matá-la. Nem consegues matar uma mosca. Contudo, antes uma mosca ou um mosquito ou um escaravelho, mas nunca uma coisa de sangue quente, um ser com cerca de meio quilo e sangue quente, como uma pomba. És mais capaz de atirar contra um homem. Pum! Pum! É rápido. Faz apenas um buraquinho com cerca de oito milímetros. É um trabalho limpo e permitido por lei, em legítima defesa, no parágrafo um da ordem de serviço para o pessoal de guarda com licença a porte de arma. É mesmo necessário. Ninguém te censurará se abateres um homem a tiro. Pelo contrário. Mas uma pomba? Como se abate uma pomba? Uma pomba esvoaça. Erra-se facilmente o alvo. É perturbar a ordem pública disparar contra uma pomba, resulta na apreensão de arma, na perda do emprego. Vais para a prisão se disparares contra uma pomba. Não, não podes matá-la, mas também não podes viver com ela. Uma pessoa não pode viver numa casa habitada por uma pomba. Uma pomba é o símbolo personificado do caos e da anarquia, uma pomba voa em todos os sentidos  da forma mais imprevisível, deita as garras e arranca os olhos. Uma pomba suja ininterruptamente e espalha uma nuvem de bactérias destruidoras e o víros da meningite. Uma pomba atrai outras pombas, o que implica acasalamento e uma reprodução acelarada. Ficarás cercado por um exército de pombas. Jamais poderás sair do teu quarto, morrerás de fome, sufocarás nos teus próprios excrementos, serás obrigado a lançares-te pela janela e esmagar-te-ás no passeio. Não. És demasiado cobarde. Ficarás fechado no quarto e gritarás por socorro, pedirás que chamem os bombeiros para que acorram com uma escada e te salvem de uma pomba. De uma pomba! Ficarás exposto à troça do prédio, à troça do bairro. ‘Olhem para Monsieur Noël’, gritarão as pessoas e irão apontar-te o dedo. ‘Olhem para Monsieur Noël, que precisa que o salvem de uma pomba!’ E serás internado numa clínica psiquiátrica. Oh, Jonathan, Jonathan! A tua situação é desesperada. Estás perdido, Jonathan!»”

Patrick Süskind, A Pomba

AHAHAH! Isto é absolutamente hilariante (: E ainda há quem diga que não gosta de ler! Quem não gosta de ler o relato de um homem prestes a ter um ataque de loucura quando se depara com uma pomba à porta do quarto? * É claro que só podia ver uma pomba (;

*Rita

Por muito tempo eu desejei estar aqui. Agora? Agora não sei. Deito a cabeça em páginas quase em branco por onde escorre a vida.

É certo que me encontro aqui e que em nenhum outro lugar eu encontraria tanta paz, tanta calma. Toda a vida acontece muito longe, como se o pôr-do-sol fosse interminável. Por muitos anos julguei que fosse. Mas por muitos anos julguei, também, nunca crescer. E será que fui sempre assim? Livre nessa ingenuidade imensa que constrói sonhos? Duvido.

Nunca acreditei que crescer implique afastarmo-nos. Mas acredito em colo, em caminhar, em papas e em chávenas de café. Acredito em dar a mão.

Por muitos anos também julguei vir a pertencer sempre aqui. Mas a vida não é uma casa de bonecas. De certo modo nunca foi, excepto, talvez, por uns breves, mínimos, tempos, em que eu sorria, trancado numa gaveta de sonhos.

Quem disse que a noite não chegava? Quem esperou incessantemento o dia quando o sol nasce sempre? Quem fui eu, pequeno rapaz eternamente vagueante pelas ruas que eu não vi?

Poderei dizer que o sol não nascerá? Poderia, mas duvido da verdade eterna dessas ilusões esbatidas.  Porém, se um dia o sol não nascer, eu continuarei aqui. Aqui ou noutro lugar. Aqui onde eu seja. Numa qualquer gaveta.

O sol não tem que nascer e eu não tenho que viver numa casa de boneas. Mas é um grito de guerra o meu desejo por esses estranhos pertences, por essas pequenas coisas que, não estando, agarro sólidas na mão.

Se algum dia eu chegar aqui, direi que sou feliz e que o pôr-do-sol, que se esbate sob os montes que me enfrentam, será apenas um receio distante e o chamamento a uma espera livre.

Nunca acreditei que crescer implique afastarmo-nos. Crescer implica aprendermos a pertencer aqui. Onde quer que esse lugar seja.

Mas agora, velho homem, farrapo, saberei ainda como se cresce? Aqui?

*Rita Esteves [um velho amigo imaginário?]

C.

O excerto que se segue é o início de um conto de Luís Costa Gomes. Continue-o e conclua-o introduzindo outras personagens e descrevendo a casa onde se passa.

“A televisão disse: a época festiva que atravessamos fica sempre tristemente assinalada por um grande número de acidentes de viação. Marciana baixou o som e foi ver o perú. Pelo corredor, de nariz ao ar, ainda distinguia o cheiro dos fritos. Detestava a comida do Natal.

Espetou o bojo do perú ee ouviu a porta abrir-se e o Miguel entrar, falando com alguém. Foi recebê-los à porta da cozinha, de garfo em punho, curiosa.

- Trago aqui o Pereira para jantar connosco, mãe. Parece que não tinha para onde ir.

Num relance Marciana avaliou o vagabundo. (…)” Parecera-lhe rude o seu olhar baixo. Não muito alto, o homem erguia-se mudo e encharcado do tapete triste e gasto. Não dissera uma palavra, como se o bigode grilhaso lhe prendesse os lábios secos.

- Por favor mãe. Está frio.

Num outro relance Marciana roubou um olhar ao velho Pereira. Detestava o frio.

Pereira cotinuava mudo e baixo, encharcado e triste. Eram profundas e negras as rugas dos olhos fundos que erguera ao vislumbrar a sala escura.

- Encontrei-o lá fora, no alpendre. Não parece falar muito. Vou buscar-lhe roupas.

Marciana cruzara os braços sobre o peito farto, indignada pela criatura velha e rota que se lhe aparecera ao jantar. Não se dignara a recusá-lo, mas pregara o seu olhar enviesado no fundo olhar do visitante.

Nenhum dos três falou nos momentos seguintes. Miguel abatera-se na mudez da sala. Marciana detestava também acasos. Parecera-lhe conhecido certo gesto, certo olhar, certo traço vago de Pereira. Talvez, pensou. Ignorou. Detestava acasos.

A casa continuou muda e, ao deitar-se, Marciana duvidou das últimas horas. Que Natal!. Deixara o roto a dormir, vago, no sofá.

Deitara-se, puxando, medrosa, os cobertores até aos olhos. Aconchegou-se. Detestava o frio. Quase lá, sentiou um peso forte abater-se atrás de si. Não se moveu.

De manhã, sozinha, desceu à sala, ainda estranhamente escura. A chuva entrava pelo buraco da porta fugida. Perguntou-se, quase pacífica, onde estaria a sua porta.

A casa permaneceu muda.

Rita Esteves, nº18, 11ºA2 – Teste de Português

*Ups ! Esqueci-me de introduzir personagens e descrever a casa… Oh well…

Um segundinho…

Bem, já lá ia algum tempo… Mas, de facto, tempo é coisa que escaceia (só por mais duas semanas). E numa pausinha no meio do dossier de Projecto, precisei de um segundinho para um pequeno olá ! Primeiro: RENT.

Nos dias 8, 14 e 15 de Maio usei peruca, um gorro , calças rasgadas e uma saia colorida enquanto o meu melhor amigo era um balde vermelho e o meu namorado um professor anarquista. Nestas noites fui um drag queen, Angel, do musical Rent de Jonathan Larson. Posso dizer que foram três das melhores noites da minha vida, depois de oito meses de figurinos e três semanas de Angel, foi, de facto, um sentimento de realização enorme quando os papeizinhos voaram sobre as nossas cabeças nos agradecimentos. Não é que eu seja um belo de um macho para ser um drag queen, mas fiz o meu melhor e a melhor coisa que eu fiz foi precisamente ter-me oferecido para o ser, porque ter a oportunidade de contracenar com o meu namorado e os meus melhores amigos foi das melhores coisas que já fiz. Uma das melhores experiências da minha vida, uma experiência a repetir :) .

*João, Cláudia, Tiago, Bruno, Bruninho, Inês, Joana, Maria, Rita, Tiago R., Mário, Pedro, Ricardo, Zita, Daniela, Açoreano, Bárbara, Rubi, Iga, Maria K., Eu ! (equipa RENT)

 

Segundo : Surpreendentemente, tive alguns segundos breves para a poesia. Nesses segundos, nada de positivo me corria nas veias, apenas cansaço.

 

Fatiga.

Ignóbil pensamento carnal e doce.

Tentação.

Delírio.

Um certo intento amargo

da fuga lenta, mas fugaz.

Esboçar de acasos:

Percalços ocos,

ensejos loucos.

Num presunçoso suspiro

contaste que eras

tu quem me suponha.

Pouco mudou no gesto vão,

desde que a noite se soltou de si.

Tentação.

Delírio.

Supuseste a utopia

Num desses sopros vãos.

Respiração?

Sopros ocos,

Devaneios loucos.

Durmo.

*Rita Esteves

Sim, é um facto, praticamente poderiamos dizer que esta passagem se assemelha a um deserto nos últimos tempos… A poesia tem secado, também, no meu caderno e parece-me que tudo o que eu quero dizer passa por mim e pelo tempo que eu não tenho. Sinto falta dos momentos plenos sentada ao sol apenas com as minhas palavras e dos momentos infindáveis perdida dentro de mim mesma.

Ultimamente nada mais posso dizer do que as minhas pobres queixas sobre  falta de tempo. Pois é verdade… :( Ultimamente não tenho tempo para me despertar à poesia, às palavras e aos sentidos. Não só, claro, por  andar demasiado feliz, apaixonada e completamente fora de mim mas também porque, de facto, tenho coisas a mais a fazer.

Último período, RENT, testes, curso, Angel,  figurinos, projecto, sono, esculturas, crochet, trabalhos e uma série de outras coisas… Aaaai… [Respiro fundo...] Falta-me tempo.

Porque não têm os dias mais 24 horas ?

Apontamento leve à poesia nos próximos tempos ? Duvido… Breve sopro, apenas… [lamentável....]

* Rita

** Próxima quinta-feira, O Estrangeiro de Albert Camus lido por Pedro Lamares na Soares dos Reis [aweee! Sim, gosto muito dele... À espera da melhor leitura de sempre]

A pequena

A pequena sentada sempre à minha porta chora. Há verdades que nos magoam. Verdades fingidas, sabidas, estranhas.

A pequena sabe isso, mas não pára de chorar. Bebe as suas lágrimas e seca-as, salgadas, para não mais voltarem a cair. Mas elas caem. De onde partem essas verdades? Essas mentiras! Quem lhe falou do absurdo? Da escuridão?

As palavras não me saem da boca e a pequena chora.

-Não chores pequena.

Mas ela chora, chora como se não houvesse nenhuma outra saída, nenhuma outra entrada, um outro mundo.

-Há verdades que nos magoam.

Abracei a pequena, tomei-a nos meus braços, chorei com ela, bebi as lágrimas, sequei-as, mas não pararam de cair… Caí com elas na escuridão, salvei-me daquela dor, lavando-a em sal. Dor líquida, disforme, sem nome.

A pequena abraçou-me, tomou-me nos seus braços, bebeu as minhas lágrimas, secou-as.

-Que sabes tu dessas verdades? Quem te contou delas?

Dissolvi-me em sal mais uma vez. Ninguém bom me contara aquelas verades, nem uma alma só. Seriam então verdades? Essas palavras que me choravam dos olhos, dor líquida? Seriam verdades aquelas palavras que contrariavam os anjos e a pequena? Que corroiam a minha própria verdade?

-Se as choras, essas verdades não são verdades, são mentiras, são demónios. Tu não gostas de demónios.

-Não pequena, não gosto.

Os demónios comem-nos a alma, trincam-nos o coração, torcem-nos a garganta e obrigam-nos a beber essa dor líquida que nos sai dos olhos.

E as minhas lágrimas secaram, sem que nenhum demónio tivesse o descaramento de tentar dizer apenas mais uma verdade.

*Rita Esteves

** Para a minha pequena, Patrícia

Palavras

Dilacera-se-me a pele por aquilo que não tem qualquer resposta: rompe-se qualquer mínimo rasgão de sangue por todos os segundos vãos que correm por mim, quase secretos. A ausência de ser é apenas inata àqueles que não se conhecem, aos que buscam, sem vaidade, os próprios pés, enterrados no peso torpe desse caminhar ausente.

São mais que palavras vãs. Não há, então, qualquer desígnio próprio de se ser. A vasta solidão acompanhada que se ergue nada é quando equiparada a este sonho. Pode, por momentos, ser mais aquele que diz do que aquele que sonha, aquele que é?

Não são mais que palavras vãs. Os ditos, os determinados e, contudo, inconscientes ditos, nada mais são do que destinados futuros, caminhos marcados, trilhados na emensidão negra do profundo do sentido. Almas vazias. Intactos bocados de peles ocas e famintas de essência, nesse caminho néscio por onde seguem, igualmente vãs.

O que é feito dessas palavras vãs? Não seriam vãs se permanecesse nelas o seu sentido, a volatilidade fátua do que dizem. Mas nada dizem, agora que jazem, apenas.

Aquele que sonha ergue-se bem mais alto do que aquele que diz, porque se entranha nele a impossibilidade de contar dos seus sonhos. São mínimos rasgões de sangue esses grandiosos sonhos seus. Que é aos outros essa propriedade? Apenas pó, digo, apenas vão pó.

*Rita Esteves

Salomé

Ultimamente o mundo parece-me demasiado maravilhoso para me sentar em frente do computador para escrever ou transcrever o que quer que seja. Por vezes estarmos demasiado felizes faz-nos ficar assim, um pouco desligados de algumas coisas…. E isso não é, de todo mau (:

* É verdade, não tenho escrito muito nos últimos tempos, mas há um poema que tenho que partilhar. Um senhor entre senhores poemas… Uma prova de que eu sou, de facto, omnipresente [para alguns] :)Salomé

Salomé

Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua…
Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua,
Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo…

Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas…
O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou…
Tenho frio… Alabastro!… A minh’Alma parou…
E o seu corpo resvala a projectar estátuas…

Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecôa-me em quebranto…
Timbres, elmos, punhais… A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar–ha sexos no seu pranto…
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na bôca imperial que humanisou um Santo…

Mário de Sá-Carneiro, in ‘Indícios de Oiro’

 
* Rita [aaai... num estado praticamente inconsciente, 3000 metros acima do céu!]

23:11
Perco novamente o que digo. O que sinto, permanece intacto. Deixo as mãos pousadas sobre a doçura leve da minha própria pele. Porque não estou onde tu estás?
Julguei, porventura, que viria qualquer certeza parar às minhas mãos. Mas ela não veio… Porque me apago neste intervalo de tempo, mesmo que se prenda em mim este sorriso praticamente crónico?
[Suspiro...]
Não está certo que a distância seja um facto. Se fosse apenas palavra, abater-se-ia na minha mão, suspenderia o seu valor, morreria, simplesmente…
Porque há-de ser facto o facto?
[Fecho os olhos num estado de um quase-sono...]
Ccchhh…
Dá-me a mão… Assim… [Sorrio...] Porque não estou sempre onde tu estás?

[Respiro fundo... Pouso a cabeça no teu ombro... Deixo-me ir... Perfeito...]

 

*Rita

( o ) meu *  <3

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